A identidade de um vinho nasce na vinha. É aí que tudo começa: no solo, no clima, na exposição e, acima de tudo, nas castas que lhe dão origem. Na Adega Cooperativa da Labrugeira, situada na região de Lisboa, junto à Serra de Montejunto, trabalhamos diariamente com um conjunto de castas que representam o melhor do nosso território e que estão na base da qualidade, frescura e carácter dos nossos vinhos.
A diversidade de castas, aliada às condições naturais da região e ao saber acumulado ao longo de gerações, permite-nos produzir vinhos equilibrados, versáteis e com forte ligação à sua origem. Conheça algumas das principais castas que fazem parte dos nossos vinhos, tanto brancos como tintos.
Castas brancas: frescura, aroma e equilíbrio
Entre as castas brancas, a Fernão Pires assume um papel central na nossa produção. É uma das castas mais representativas da região de Lisboa e distingue-se pela sua elevada capacidade produtiva e pela intensidade aromática. Os vinhos elaborados a partir desta casta revelam notas de frutos citrinos, como lima e limão, bem como apontamentos de tangerina e ervas aromáticas. Quando vindimada no momento certo, a Fernão Pires permite obter vinhos frescos, equilibrados e muito expressivos, sendo também uma excelente casta para integrar lotes.
A Arinto é outra casta de grande importância na Adega da Labrugeira. Reconhecida a nível nacional pela sua acidez natural elevada, é responsável por conferir frescura, vivacidade e longevidade aos vinhos. Os vinhos de Arinto apresentam grande capacidade de envelhecimento, mantendo a sua estrutura e carácter ao longo dos anos. É uma casta fundamental para equilibrar lotes e garantir vinhos elegantes e gastronómicos.
Com menor expressão, mas grande impacto aromático, encontramos o Moscatel. Trata-se de uma casta muito marcada do ponto de vista sensorial, com aromas intensos e facilmente reconhecíveis. Mesmo em pequenas percentagens, imprime notas florais, de líchia, pêra e tília. Quando utilizada em vinhos generosos, preserva bem a acidez e acrescenta complexidade aromática, com sugestões de mel, laranja e especiarias.
A Vital é uma casta branca autóctone portuguesa, profundamente ligada à região de Lisboa e particularmente adaptada às condições da Serra de Montejunto. Resistente à influência marítima e ao vento, origina vinhos de teor alcoólico moderado, acidez equilibrada e perfil delicado. São vinhos frutados, harmoniosos e que beneficiam claramente do estágio em garrafa, ganhando complexidade com a evolução.
Por fim, a Seara-Nova é uma casta produtiva e com relevância na região. Os vinhos apresentam teor alcoólico médio a elevado, acidez moderada e aromas frutados com alguma complexidade, sendo uma boa opção para vinhos equilibrados e de consumo versátil.
Castas tintas: estrutura, intensidade e carácter
Nas castas tintas, a Castelão destaca-se como uma das mais emblemáticas da região. Extremamente bem adaptada a diferentes solos e condições climáticas, é uma presença constante nos lotes de vinho tinto e também na produção de rosés. Quando vindimada em plena maturação, origina vinhos intensos, volumosos e com notas aromáticas de frutos silvestres, refletindo bem o carácter da região.
A Touriga Nacional, considerada uma das castas nobres de Portugal, tem igualmente um papel importante nos nossos vinhos. Apesar da sua produção naturalmente baixa, distingue-se pela concentração de cor, estrutura e riqueza aromática. Os vinhos apresentam equilíbrio, intensidade e excelente capacidade de envelhecimento, tanto em monocasta como em lote.
A Aragonez, conhecida noutras regiões como Tinta Roriz, é uma das castas mais difundidas na Península Ibérica. Muito adaptável a diferentes climas e solos, origina vinhos com boa cor, teor alcoólico elevado e aromas intensos e complexos. Com acidez mais baixa, é uma casta que contribui para vinhos estruturados e com potencial de envelhecimento.
A Syrah tem vindo a afirmar-se na região pela qualidade dos vinhos que proporciona. Os seus vinhos apresentam grande concentração aromática, com notas de frutos vermelhos e pequenas bagas, boa estrutura, corpo e teor alcoólico equilibrado. São vinhos muito apreciados pelo consumidor, tanto no mercado nacional como na exportação, quer em monocasta quer em lote.
A Alicante Bouschet, uma casta tintureira com expressão na região, é reconhecida pela intensidade de cor, estrutura robusta e perfil aromático marcado por frutos silvestres. Em lote, acrescenta volume, concentração e grande capacidade de envelhecimento aos vinhos.
Por último, a Touriga Franca, com expressão mais moderada, destaca-se pela sua versatilidade e regularidade produtiva. Os vinhos apresentam elevada intensidade de cor, boa estrutura e aromas florais e de frutos silvestres, contribuindo para lotes elegantes e equilibrados.
Uma identidade construída na vinha
Na Adega Cooperativa da Labrugeira, cada casta é trabalhada com respeito pela sua identidade e pelo território onde se expressa. É a combinação destas castas, aliada ao saber técnico e à experiência acumulada, que nos permite criar vinhos autênticos, representativos da região de Lisboa e pensados para diferentes momentos de consumo.
Convidamo-lo a descobrir os nossos vinhos e a reconhecer, em cada copo, o carácter das castas que lhes dão origem.
